III. A fundação do Seminário

Dom Manoel anuncia a fundação do Seminário

Confiante de que receberia o auxílio de Nossa Senhora, Dom Manoel trabalhou imediatamente de organizar na Diocese a “Obra das Vocações Sacerdotais” (OVS) e convocou todas as forças vivas entre o povo fiel para que, organizadas em todas as paróquias, rezassem e conseguissem ajuda material para o Seminário que seria construído.

Esta preparação, espiritual e prática, foi recebida com entusiasmo pelos leigos, dos mais ilustres na sociedade até aos operários e as pessoas de condição mais simples, todos orientados pelo Vigário Geral Monsenhor Gentil a quem Dom Manoel nomeou Diretor da OVS, extraordinária figura do clero secular em Petrópolis, que se dedicou inteiramente ao serviço do movimento em favor das vocações e do futuro seminário.

No dia 6 de janeiro de 1949, Dom Manoel escreveu uma carta aberta a todos os seus diocesanos, comunicando a novidade em Petrópolis: abriria o Seminário em março! Suas primeiras palavras foram:

“É com a alma exultante de júbilo que vos escrevemos para comunicar a mais alvissareira notícia: a inauguração próxima do nosso Seminário Diocesano. Com o Seminário poderemos... pensar em reunir os fiéis dispersos pelas heresias ou vítimas das superstições; podemos pensar em assistir amplamente aos pobres, aos órfãos, aos doentes, aos desvalidos de toda espécie; poderemos pensar em difundir em todas as camadas sociais a vida genuinamente cristã, vida de fervorosa piedade, de sincera virtude, de obediência conscienciosa aos deveres de estado... O Seminário tornará tudo isso possível. Porque nada na Igreja se faz sem o Sacerdote... Nossa Diocese vai ter o seu Seminário... Sua abertura será dia 3 de março próximo, com a matrícula de 23 primeiros alunos, e sua inauguração solene será no dia 25 do mesmo mês... Situado no salubérrimo e amenissímo recanto de Correas, o Seminário vai abrir-se ali próximo à capelinha do povoado, onde se encontra a Virgem do Amor Divino, Virgem a quem antecipadamente entregáramos todos os cometimentos de nosso desvalido episcopado. Inefáveis desígnios de Deus! Maternais finezas da Rainha dos Céus! Precisamente à sombra de Sua Imagem venerada e milagrosa dispôs Maria Santíssima recebêssemos valiosissima doação de uma magnífica chácara para o Seminário. Em testemunho da perene gratidão nossa, Ela, Nossa Senhora do Amor Divino: “Mater Pulchrae Dilectionis” será a Titular do Seminário Diocesano."

Para terminar a carta Dom Manoel escreveu:

“Esperamos paternalmente que todos, caríssimos filhos e diocesanos nossos, haveis de corresponder generosamente ao apelo de vosso Pastor e assim dentro de nosso tempo possa ser inaugurado definitivamente o prédio do Seminário construído pela generosidade vossa. Com estes sentimentos de esperança no coração...damo-vos afetuosamente Nossa Benção Pastoral”.

Nessa carta circular em que anunciava a abertura do Seminário, Dom Manoel referiu-se à doadora de uma chácara em Correas para que se abrisse o Seminário; referiu-se também ao vosso edifício que seria preciso construir “amplo e majestoso, adequado a altíssima finalidade”.

A doadora da chácara foi a Embaixatriz Lavínia Luiz Guimarães, viúva do Embaixador Luiz Guimarães Filho.

Na referida doação, há circunstâncias e pormenores que não se podem omitir para que se possam avaliar os designos da Providência, realizados afinal pela intercessão de Nossa Senhora do Amor Divino.