Maturidade e Discernimento Vocacional

A verdadeira vocação se conhece através de sinais exteriores e motivações interiores que ajudam o vocacionado a conhecer-se melhor e sobre os quais a Igreja se pronuncia.

O candidato ao sacerdócio e à vida religiosa deve possuir um mínimo de condições que dêem garantia de uma aptidão básica ao desempenho das responsabilidades assumidas e de fidelidade e perseverança. "Aqueles que Deus escolhe em vista de alguma missão, os prepara e os dispõe para que sejam idôneos àquilo para o qual foram escolhidos" (Santo Tomás de Aquino). A maturidade psicológica que oferece essas garantias pode ser descrita como o desenvolvimento equilibrado dos principais aspectos da personalidade, tais como emocional, sexual, social, intelectual, moral. O que significa tudo isso?

O equilíbrio é uma realidade dinâmica, e, portanto, não é conseguido de uma vez para sempre, nem é jamais possuído como conquista definitiva. Trata-se de viver de maneira harmoniosa. Por isso, mais do que falar de um estado ideal de equilíbrio, deve-se falar das condições – e comprová-las – que tornam o indivíduo potencialmente capaz de conseguir o equilíbrio e continuar mantendo-o.

Equilíbrio emocional

  • capacidade de expressar emoções de forma construtiva;
  • capacidade de enfrentar problemas e conflitos sem fuga;
  • capacidade de manter um padrão de comportamento relativamente uniforme, sem reações imprevisíveis, e não deixar o juízo ser dominado pela emoção;
  • capacidade de refletir e não só sentir;
  • capacidade de aceitar-se.

Equilíbrio afetivo e sexual

  • aceitação normal da própria identidade sexual;
  • interesse normal por pessoas de outro sexo;
  • aceitação do celibato como expressão de entrega total.

Maturidade social

  • não depender das opiniões dos outros e das modas do momento;
  • esforço para ser sincero e autêntico;
  • relações sociais estáveis, sem dificuldades freqüentes;
  • interesse pela cooperação e atividade em grupo;
  • capacidade de viver em comunidade: receber e contribuir.

Maturidade intelectual e moral

  • um grau suficiente de inteligência (proporcional à tarefa que o chamado é chamado a desempenhar – mestre no Povo de Deus;
  • Não basta ser inteligente, precisa também saber dedicar-se ao estudo para frutificar os talentos recebidos;
  • desejo de perceber o sentido das ações (não fazer por fazer);
  • poucos interesses, mas estáveis;
  • consciência crítica, não ingênua;
  • conduta dependente de princípios morais e de um ideal;
  • conduta baseada sobre a consciência pessoal da responsabilidade e do dever.

Dotes espirituais

  • sentido de Deus (valor supremo e dominante da vida – Deus);
  • inclinação à oração e espírito sobrenatural;
  • espírito de sacrifício (capacidade de renúncia - contra mentalidade atual burguesa de conforto);
  • sentido de Igreja e espírito de obediência;
  • zelo apostólico.

Além disso, pede-se um mínimo de saúde física.

Não podemos esquecer que na busca da própria vocação se torna necessário a presença de um sacerdote ao qual o vocacionado abre sua alma com simplicidade e grande confiança.