Um Deus que se manifesta na fragilidade

O que fizerem ao menor dos meus irmãos…(Mt 25,40)

Um caminho seguro para encontrar a vontade de de Deus é a descoberta do rosto de Cristo naquele que é mais fraco. Basta pensar no grande mistério da Eucaristia que encerra em si toda a riqueza espiritual da Igreja, mas atrás de realidades simples, frágeis, pobres.

O caminho das manifestações de Deus são assim. Quando escolheu Moisés, ofereceu ao povo de Israel um guia que tinha consciência de não poder liderar nada nem mesmo tinha a força e a coragem de se apresentar diante do Faraó.

Na escolha de Jeremias vemos a eleição de um profeta que se comparava com as crianças balbuciando.

O portador da Palavra forte de Yahweh sem condições de falar: «Sou apenas uma criança, não sei falar» (cf. Jr 1,6).

Jesus quando escolhe os seus apóstolos, busca-os, em sua maioria, nas classes mais simples dentre os filhos de Israel.

Esse modo de agir de Deus nos é explicado por S. Paulo: é na fraqueza que se manifesta a força de Deus (cf. 2Cor 12,10). Deus se esconde naquele que é frágil, desprezível, não considerado como os grandes dessa terra.

Mas, não é verdade que isso dificulta o encontro? Talvez! Porém, por isso mesmo o Senhor Jesus já deixou claro que se não nos convertermos e nos tornarmos como crianças não podemos entrar no Reino dos céus (cf. Mc 10,15).

Portanto, para chegar a essa descoberta sempre nova do rosto de Deus é preciso passar por um caminho de infância espiritual, fazer-se pequeno, descomplicar-se, não se considerar mais do que convém, pois Deus resiste aos soberbos e dá sua graça aos humildes (cf. Tg 4,6).

Todo chamado supõe uma atitude infantil que se dispõe plenamente àquilo que Deus nos oferece e, ao mesmo tempo, garante a alegria de nos surpreendermos com a novidade que o chamado sempre traz consigo.

O caminho da infância espiritual impulsiona à descoberta de Cristo nas coisas mais insignificantes, humanamente falando. A criança se encanta com pouco, precisa de poucos elementos para alí construir o seu mundo, a sua história. É a simplicidade de coração que nos ajudará a descobrir Cristo no pequeno.

A partir de então se descobre a alegria da vocação: servir a Cristo na pessoa do próximo, daquele que naturalmente conta com uma mão generosa. O que foi chamado por Deus—nas diversas circunstâncias da vida Deus chama e chama a todos—vai descobrindo ao seu redor um mundo de rostos feridos que vão pouco a pouco refletindo seu encanto precisamente porque escondem o rosto fulgurante de Cristo.

Esse achado é aquele tesouro escondido de que fala Jesus na parábola (cf. Mt 13,44) e que, paradoxalmente, oferece ao vocacionado a alegria de trocar tudo o que tem pelo que aos olhos dos outros não brilha, mas que só ele descobriu o valor porque tornou-se pequeno e viu o que os adultos não conseguem ver.

Desse modo descobre ao seu redor inúmeros apelos divinos e onde encontra uma vida marcada pela dor, pelo abandono, pela solidão se lança numa atitude de total disponibilidade e serviço.

Guardando porém no coração que a recompensa é única: ouvir a voz do Supremo Pastor que diz «vinde benditos de meu Pai e tomai posse do repouso preparado para vós» (cf. Mt 25,34).

Que eu te veja, Senhor, escondido como estás em tantas situações!