Tudo posto à disposição

Aqui está uma criança que tem cinco pães e dois peixes (Jo 6,9)

De Elias passamos para o Evangelho e, dessa vez também, o milagre se serve da generosidade daqueles que se dispuseram a colocar à mesa o pouco—muito pouco diante das tremendas necessidades—que tinham: cinco pães e dois peixinhos.

«Mas—alguém pergunta—o que é isso para tanta gente?».

Certamente outro poderia ter respondido que era nada, que era ridículo tentar saciar a tantos com tão pouco. A lógica de Jesus, porém, funciona de outro modo. Mais uma vez usa de medidas difíceis de mensurar com nossos padrões de medida.

Além disso, conta com outro elemento: a sua bênção!

Esses cinco pães e dois peixes representam tudo que alguém traz consigo, mas também tudo que alguém conseguiu colocar à disposição. Aqui não conta somente o pouco que se tem, mas o pouco que se dá quando ele representa o tudo que se pode dar.

Pode parecer isso aqui um simples trocadilho de palavras. Porém o que elas representam é precisamente isso o que interessa. Não importará nunca se o que damos é muito ou pouco, mas será de suma importância a consciência segura de dar tudo.

O Senhor faz milagres estupendos, alimenta multidões incontáveis, quando não fechamos o nosso coração e colocamos tudo à sua disposição.

Quando uma pessoa se entrega a Deus logo verá que não poderá regatear nada.

Ele pede o entusiasmo, a alegria, o tempo, o dinheiro, a saúde, os talentos, as capacidades de iniciativas, o coração com todas as suas capacidades de afeto bom e honesto, a família, enfim, pedirá coisas que certamente nos são muito caras e que, por Ele, deverão ser deixadas, ou melhor, entregues.

No entanto a lição dos cinco pães e dois peixinhos nos faz ver que esse nosso tudo é muito pouco diante da multiplicação que ele quer fazer.

Ao dar aquilo que nos é tão querido—as únicas coisas que temos—acontece algo extraordinário: aquelas coisas se multiplicam em favor dos outros e, por que não dizer, em nosso favor também é o cento por um de que fala Jesus no Evangelho.

Quando no chamado sentimos o apelo de Deus que nos pede não olhar para trás, não ficar medindo com a medida da desconfiança, agora sabemos que o que Ele quer é multiplicar aquilo que para nós é precioso, mas que até agora não estava rendendo tudo que podia render.

Que dimensão ganha a entrega de uma pessoa chamada por Deus? E o interessante é notar que essa vocação de entregar o nosso tão miserável tudo, é um chamado para todos.

Esta não é a decisão que devem tomar uns poucos escolhidos e privilegiados, mas é uma resposta que o Senhor espera de todos aqueles que receberam o seu Espírito.

Cada um de nós precisa pensar sobre o que significam esses cinco pães e dois peixes. Talvez tantas maravilhas não estejam acontecendo em nossa vida pessoal e na vida de tantas pessoas que nos cercam precisamente porque não colocamos ainda à disposição isso que Ele espera daqueles que estão continuamente ouvindo a sua Palavra.

Senhor, eu que pensava ter tão pouco para dar, agora descobri que esse quase nada que possuo pode tornar-se grande à medida que eu me dispuser. Dispõe de mim, Senhor, conforme o teu querer e a necessidade dos meus irmãos.