Responsáveis pelos outros

Apascenta meus cordeiros... minhas ovelhas (Jo 21,15s)

O envio de Pedro acontece depois de uma bela experiência de conversão onde Jesus por três vezes lhe pede uma declaração de amor e, logo a seguir, compromete-o no amor.

O verdadeiro amor exige compromisso. Quem ama não tarda a entregar-se.

Por isso o Senhor, imediatamente depois da declaração de Pedro diz: «Apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas, apascenta as minhas ovelhas».

No grego, provavelmente, a expressão significa «apascenta todo o meu rebanho: os pequenos, os grandes, todos aqueles que o compõem», com destaque para o meu que Jesus pronuncia.

Não diz «apascenta os cordeiros, apascenta a Igreja, apascenta os fiéis», mas sim «os meus cordeiros, a minha Igreja, os meus fiéis».

Graças ao amor sincero que há entre Pedro e Jesus, Pedro pode receber a missão e a vocação de assumir a responsabilidade por aqueles que Jesus ama, por aqueles que pertencem ao Senhor, por aqueles que são "os seus".

Precisamente pelo fato de que Pedro ama muito Jesus e Jesus ama os “seus”, sendo uma só coisa com eles, é que Pedro pode assumir essa responsabilidade pelos que são de Jesus. Trata-se das ovelhas de Jesus, não de Pedro.

É nessa troca de amizade profunda e sincera entre ambos que Pedro poderá apascentar, já que tem os mesmos sentimentos do coração de Cristo e amará com o Seu coração as ovelhas que são do Mestre.

Aqui fica bem claro que o que a vocação cristã está em assumir uma responsabilidade afetuosa e amorosa pelos outros. Não se trata simplesmente de um compromisso de caráter organizativo. Quando não envolve o coração e o amor, não se trata de vocação. Por isso mesmo, a questão fundamental refere-se ao amor.

Vocação é a expressão da minha capacidade de amar, dentro das coordenadas históricas e psicológicas da minha vida e da minha pessoa. Por isso, as vocações fundamentais da vida cristã são redutíveis a duas.

A primeira é a de assumir responsabilidade por uma outra pessoa, por um homem ou por uma mulher a quem me uno plenamente, numa tomada recíproca de responsabilidade, para que , nos tornemos da nossa parte responsáveis por outros: a famílía.

A segunda está em assumir responsabilidade por um serviço de consagração na Igreja: a consagração sacerdotal ou religiosa.Essas são as duas vocações fundamentais, porque implicam assumir responsabilidades pessoais afetivas, nas quais o amor é determinante.

Naturalmente, dessas responsabilidades surgem depois todas as outras, porque não se pode assumir responsabilidade sem amor e, sendo assim, todo serviço civil, social e organizativo não pode acontecer sem um pouco de amor.

Qualquer vocação deve se situar nesse âmbito: deve representar um assumir responsabilidades fraternas, maternas, paternas e amistosas.

Meu Deus, que eu não tenha medo de assumir as responsabilidades que queres colocar em minhas mãos. Que eu não fuja delas mas que as abrace com entusiasmo de Bom Pastor. Que eu possa compreender que não há peso mais suave que aquele de amar com responsabilidade as tuas ovelhas, os teus cordeiros.