Realizando o projeto de Deus

Seja feita a vossa vontade(Mt 6,10)

Receber um chamado supõe abrir-se a um plano que a pessoa não elaborou por conta própria, mas tomou a decisão de abraçá-lo tornando-o pessoal.

A obediência não tem nada a ver com uma atitude de anulação, ao contrário, ela é altamente positiva enquanto leva a pessoa a aderir a uma vontade que a atrai e é considerada como realizadora de uma sede que se traz dentro de si.

Ainda não compreendeu o sentido da obediência quem precisa justificar a partir da vontade alheia o seu modo de agir.

Quando ainda não se fez própria a vontade do outro, não se conhece a obediência que salva, aquela semelhante a de Cristo.

Um dos grandes elogios que encontramos na Escritura a respeito de Cristo diz que Ele foi obediente até à morte, e morte de Cruz (cf. Fl 2,8). Fez-se servo da vontade de seu Pai e, graças a essa entrega, hoje temos o grande fruto da redenção.

Igualmente Cristo nos ensinou que na oração devemos estar profundamente identificados com o querer de Deus.

Quando no Pai-nosso nos faz pedir a vontade de Deus, coloca-nos como filhos pequenos, sem problemas, confiantes, diante de uma Pai tão bom cuja vontade é a plena realização da vida filial em nós. Ninguém deve temer pedir a vontade de Deus.

São Paulo recorda que Deus, o que quer a nosso respeito é a nossa santificação. Portanto tudo aquilo que percebemos como manifestação da vontade divina deve nos alegrar porque nos coloca mais próximos do coração de Deus.

É verdade que normalmente Deus não realiza o nosso querer.

A verdade é que não sabemos pedir como convém (cf. Rm 8,26), não conhecemos em profundidade os caminhos de Deus, na vida espiritual Ele é quem melhor conhece a estrada, por isso mesmo só Ele pode, com propriedade, traçar os caminhos e mostrar as direções. Assim devemos decidir-nos escolher o que Deus nos apresenta como sua vontade.

Os sinais dessa sua vontade são muito variados. Por isso necessitamos de alguém experimentado que nos ajude a discernir os planos de Deus para nossa vida. Realizar a sua vontade não é indiferente, disso depende a nossa felicidade.

Não uma felicidade efêmera e vazia, como o orvalho da manhã, mas aquela duradoura que permanece para além de nossas compreensões superficiais. É preciso aprender deixar-se guiar, como Ananias guiou o grande Paulo, ou Moisés, o povo de Deus.

Assim Deus conta também com pessoas que nos ajudam a discernir o que melhor fazer e, o melhor, é sempre o que Deus quer. Quem está discernindo um chamado de Deus, seja ele qual for, não pode menosprezar o auxílio de um conselho que o ajude a penetrar no conselho de Deus, que é um dom do Espírito Santo.

O fruto desse realizar a vontade de Deus é o encontro com a paz. Esse é o grande dom que aqueles que procuram em tudo discernir o querer de Deus recebem. O que verdadeiramente traz paz ao coração de alguém é poder repousar no coração d’Aquele que é o único a saber o que mais me convém.

Senhor, que eu creia que a tua vontade é o que mais aspira minh’alma e, assim, identifique-me mais alegremente com ela. Tua vontade é a minha paz e meu descanso, nela Te encontro e me encontro.