O chamado da Igreja

Como pregarão se não forem enviados? (Rm 10,15)

A fidelidade à Igreja de que falávamos tem um significado especial dentro do envio que ela mesma faz.

Não pode evangelizar quem não for enviado.

Na verdade todos na Igreja devem fazer apostolado, devem comunicar o Evangelho do Reino. Porém, nem todos o fazem do mesmo modo. Alguns são investidos de uma especial autoridade na Igreja para fazê-lo. Desse modo, nossa reflexão agora se detém no papel indispensável da Igreja em escolher e enviar pessoas com autoridade para continuar a missão dos apóstolos. À Igreja cabe fazer esse discernimento. Isso acontece por própria vontade de Cristo.

Cabe à Esposa de Cristo discernir as aptidões necessárias para estabelecer alguém com autoridade para realizar o anúncio da pessoa de Jesus. De modo algum isso é sinal de prepotência ou de manipulação do serviço do Senhor.

É, sim, zelo pela obra evangelizadora pois ela se preocupa em oferecer o melhor que pode tanto para Deus que envia quanto para os destinatários desse envio. Ela quer atribuir-se a árdua missão de selecionar aqueles que devem continuar o anúncio do Evangelho de Cristo. Por outro lado, a Igreja simplesmente contribui para discernir os que realmente receberam um chamado divino.

É Deus quem chama, mas o Senhor quis uma mediação humana para confirmar os chamados.

Ninguém pode atribuir a si mesmo a autoridade para realizar tão grande tarefa. Deus quando chama, falávamos em outro lugar, dá as condições para que a pessoa realize o chamado. Por outro lado, essas condições não se justificam por elas mesmas.

É preciso o parecer da Igreja que reconhece naquela pessoa o chamado específico que Deus lhe faz. Este elemento, longe de qualquer arbitrariedade, é um grande conforto para o que foi vocacionado pois sabe encontrar na decisão da Igreja uma certeza que sozinho nunca poderia encontrar.

Por isso mesmo sentirá fortaleza nas horas de desânimo e de dúvidas porque poderá dizer «tenho vocação porque a Igreja me enviou, escolheu-me». As suas escolhas têm como critério fundamental a luz do Espírito Santo cuja assistência foi garantida pelo próprio Cristo a fim de que nunca estivesse desamparada na sua caminhada nessa terra.

Assim podemos perceber o grande valor que tem dentro do cristianismo o elemento hierárquico que de jeito nenhum representa um confronto com a dimensão carismática da Igreja. Pelo contrário, é garantia da identificação da verdadeira ação do Espírito Santo.

Aquele que se sente chamado não deve sentir medo do critério que a Igreja apresenta para descobrir a autenticidade de um chamado. Pelo contrário, deve munir-se de coragem e de alegria pois desse modo é mais fácil ouvir a voz de Deus que chama.

Senhor, que não nos esqueçamos que prometeste para a Tua Igreja a solidez da rocha. Estamos apoiados em pedra firme, segura e, assim, não vacilaremos, pois a Tua presença é garantida na barca. Mesmo que sintamos sua oscilação sabemos que sustentas e guias a barca para porto seguro. Ampara nossa falta de fé, envia-nos arautos do Teu Evangelho que sejam transparência Tua para que acreditemos na força renovadora da Tua Palavra.