Não escolher a missão

Levanta-te, vai a Nínive (Jn 1,2)

Pode acontecer que o chamado tenha de ser realizado em Nínive e, a exemplo de Jonas, não queiramos ir.

E comecemos a nos questionar «por que neste lugar e não em outro, por que desse modo e não desse outro que me parece mais ‘coerente’?

No entanto, uma vez que se disse ‘sim’, não se pode renunciar a partir para o lugar da missão pois ele não é indiferente, entra nos planos do Senhor da messe.

O que nos amedontra em “Nínive”? Como na história do profeta Jonas, talvez o que mais causa temor nesse lugar é ver que a paciência de Deus e a sua misericórdia são, de fato, infinitas e que, portanto, Deus não destruirá a cidade e a palavra do profeta se cumprirá ao modo de Deus e não ao seu próprio modo: tudo terminará bem, se o profeta não se recusar a anunciar.

O problema da cidade de Nínive não está nas circunstâncias da cidade, mas no coração do profeta.

Parece, por sua persistência em não se dirigir à cidade, que ele não ama os seus habitantes. Sente um prazer enorme ao comunciar-lhes que dentro de quarenta dias Deus iria destruí-la.

Mas quando percebe a ação da misericórdia, entristece-se! É paradoxal, mas o profeta não sente a alegria do perdão, parece preferir a austeridade das ameaças. Sem dúvida convém perguntar-se sobre amor do profeta pelos cidadãos de Nínive.

Quantas vezes também eu digo não a uma missão que se apresenta árdua…neste lugar, com estas pessoas, com estes meios, com estas perspectivas!!!

Mas aqui também é preciso dizer que o problema não é a tarefa missionária, o que fazer, mas o coração que se turva atrás de pensamentos e desejos malvados, pouco afinados com o querer de Deus.

O que importa é ouvir o chamado, pois ele é claro. A missão corresponde ao cuidado das coisas que interessam a Deus.

É verdade que o vocacionado deve procurar sintonizar seu coração com o Senhor. Mas muitas vezes deverá prescindir das vozes que clamam dentro de si e deixar lugar para que prevaleça uma outra palavra, diferente da que ele sente dentro de si e abrir os ouvidos para o imperativo: “levanta-te e vai”!

O segredo da resposta é o amor. Um amor como aquele sobre o qual interrogou Jesus a Pedro: «tu me amas?» Jesus queria saber sobre suas disposições para um amor que não busca os próprios interesses e que se alegra simplesmente em amar.

Amor verdadeiro, autêntico, que não se encontra difundido em grande escala pelos modernos meios de comunicação. Esse amor é o único capaz de inspirar uma resposta que vai além das vontades pessoais e se abre para realizar o querer divino. Pode-se dizer que esta atitude garante ao chamado amar de verdade, pois o seu caminho é um caminho de amor.

Senhor, quantos caminhos vejo abertos diante de meus olhos! Mas apenas um é o meu caminho, aquele que escolheste e que tornas urgente para mim. Que eu saiba aceitar a tua urgência em salvar meus irmãos no lugar, no tempo e do modo que tu tens planejado.