Horizontes abertos

Ide, fazei discípulos de todos os povos (Mt 28,19)

A missão do mensageiro se abre a uma perspectiva extraordinária: ela é universal. O chamado não se identifica unicamente com o mundo que está ao nosso redor.

Apesar de manifestar a sua coerência ali—pois quem não evangeliza onde se encontra se quiser evangelizar em outros lugares manifestará assim a sua incoerência—, ela se abre para todas as pessoas, em todas as circunstância, em todos os tempos e em todos os lugares.

A missão é não só de todos, mas chamada a alcançar a todas as pessoas e todos os ambientes. De cem almas interessam as cem, sem excessão. Cada pessoa foi comprada por um alto preço (cf. 1Cor 6,20): todo o sangue de Cristo.

Sobre cada pessoa vemos como que derramar-se o sangue precioso de Jesus. Como permanecer indiferentes diante de pessoas que se perdem por não conhecerem a Boa-Nova de Jesus Cristo?

O chamado desperta uma necessidade de atender ao apelo do Mestre de fazer discípulos. Jesus, em suas andanças ia conquistando muitos corações atentos à sua Palavra, apaixonados pela sua doutrina.

A doutrina de Cristo arrasta os mais indiferentes quando ela é apresentada na sua mais absoluta transparência. Aqui se requer a capacidade humildade de fidelidade à mensagem recebida.

A nossa doutrina não é nossa, nós a recebemos. Cultivá-la e guardá-la fielmente é condição para a eficácia do apostolado. Temos a tentação de adocicá-la com tendências modernas estranhas à sua mensagem e quando nos deixamos levar por essa tentação o Evangelho perde a sua força.

Não é à toa que assistimos hoje uma proliferação de tantos recursos pedagógicos no anúncio do Evangelho e poucas autênticas conversões. Quando a evangelização se confunde com metodologias acontece um verdadeiro empobrecimento da mensagem e já não é mais Boa-Nova, perde-se o sabor da novidade, mesmo que encontre muitos olhares admirados e aduladores.

A missão de fazer discípulos recorda-nos também que o chamado nos projeta na escola do Mestre. De algum modo é preciso refletir a coerência e a autenticidade daquele Jesus que não substituia nem mesmo um ‘i’daquilo que devia comunicar.

Não podemos estar iludidos nesse ponto. Ou buscamos uma verdadeira fidelidade ao Evangelho no momento de anunciá-lo ou «plantaremos muito e colheremos pouco». Nesse sentido creio que a história recente traz bastantes exemplos.

E a nossa fidelidade tem uma dimensão concreta que é a sua dimensão eclesial. De fato, onde está a Igreja aí está Cristo. É preciso ter ouvido de discípulos para discernir com a Igreja os sinais dos tempos para, desse modo, poder fazer discípulos de todas as nações.

A Igreja, assistida pelo Espírito Santo, possui os meios para melhor favorecer os meios evangelizadores. Não daremos discípulos a Jesus enquanto não nos convencermos sobre a necessidade de uma fidelidade renovada à Igreja de Cristo.

Senhor, que eu queira sempre levar as pessoas a ti, buscando uma fidelidade muito grande naquilo que a Santa Mãe Igreja, espera de mim.