Fiel é Deus por quem fostes chamados

(1Cor 1,9)

Nossas meditações se encerram com um apelo à esperança. Esta se fundamenta numa certeza: toda vocação é um dom de Deus.

O primeiro a empenhar-se no chamado é o próprio Deus, é Ele quem estabelece alguém numa vocação, contando, certamente, com a resposta do eleito. No entanto, aquilo que Ele mesmo realiza é único, depende só d’Ele. É Ele o sustento permanente da vocação.

A vocação é um mistério, portanto, algo de tal modo grandioso que não seremos nunca capazes de abarcar por completo: faz parte do mistério da escolha de Deus pelo homem, escolha fundada no amor.

Ao mesmo tempo, essa realidade recorda que é preciso conservar uma atitude de abertura para que se viva plenamente esse dom. Deixemos que Deus nos fale de nossa vocação. É precisamente num diálogo vivo com Deus que a vocação cresce.

Se a pessoa chamada não reza no segredo ao Pai, facilmente perderá o sentido do grandioso que é a sua situação e acabará por cair na mediocridade de quem a vive como um mero fazer coisas, mas que não está enraizada no mistério.

O mistério dá horizontes, faz com que o coração não se estreite nos becos apertados do coração humano. Abre para perspectivas que não se poderiam sonhar se não fosse o dom de Deus.

No diálogo íntimo com o Espírito Santo, no fogo do seu amor e sob a influência da sua ação, pouco a pouco, o ser humano pode aprofundar-se no mistério de sua vocação e amadurecer a entrega.

Na hora de hoje quando a tentação de pensar na finitude de todas as coisas é real. Nada parece perdurar, tudo parece facilmente mutável e perecedor. A vocação abre ao homem perspectivas de eternidade, duração sem fim.

Essas miras só as tem quem encontrou-se com Deus e se apoiou na sua solidez. Sim, fiel é Deus.

Embora nos dê medo entrar numa aventura que nos ultrapassa, como é a aventura vocacional, sabemos em quem depositamos a nossa confiança (2Tm 1,8).

Nossa força e confiança de fidelidade está n’Aquele que é fiel nas suas promessas, nas suas palavras e nos seus dons. Não nos preocupemos tanto na fidelidade à nossa vocação quanto na fidelidade a Ele. Se lhe somos fiéis, seremos fiéis também ao que Ele nos pede.

Afinal, a vocação antes de ser um fazer, é uma relação vital, existencial com toda a Trindade, fonte de todo chamado. Se Deus nos chama é porque deseja que participemos da solidez do seu amor.

Assim, chama os que se casam para que numa vida a dois experimentem a força do seu amor «mais forte do que a morte» (Ct 8,6) que torna sólida a experiência de um casamento cercado de tantas realidades frágeis da vida humana.

Chama aqueles que se entregam a Deus no celibato por amor para que experimentem no dia a dia o vigor de uma amor capaz de arrebatar de modo exclusivo o poder de amar que o coração humano possui.

A vocação se resume numa palavra: amor.

Participar do poder que tem o amor de Deus e entrar no dinamismo desse amor.

Senhor, que eu não renuncie nunca em minha vida à alegria de amar do teu modo, só assim realizarei o ideal, o sonho que tens para mim e, contigo, serei feliz. Amém.