Disponíveis e generosos como Maria

Maria foi às pressas à montanha... (Lc 1,39)

Como não lançar nosso olhar sobre Maria como modelo de ação dentro do chamado de Deus?

Que solicitude a da Virgem Mãe! Ao tomar conhecimento da situação de Isabel dirige-se às pressas para estar com sua prima simplesmente para servir.

Que afán de serviço abriga o Coração de Maria! O que Maria faria naqueles meses que passou com Isabel? Não imaginemos que passassem todo o dia com divagações que nada tivessem com a relidade.

Pelo contrário, as conversas eram sobre as coisas do dia a dia, a expectativa de ser mãe, as preocupações do lugar, a situação da família, etc.

Nesse trivial Deus estava tão presente, a boa rotina do cotidiano não as afastava da intimidade divina. A normalidade era instrumento constante de encontro com Deus que agora se manifestava tão próximo por meio de Maria.

Maria não quer furtar-se do encontro com os seus porque sabe que a sua presença a partir de agora é portadora da proximidade de Deus. Ela estará para sempre referida ao Verbo divino porque é sua Mãe.

O Verbo se fez carne para permanecer no meio de nós, portanto Maria reconhece ser instrumento dessa aproximação de Deus e procura colocar-se à disposição a fim de que os seus irmãos vejam a Deus.

Uma disponibilidade cheia de generosidade. Diz o evangelista que Ela se dirigiu às pressas ao encontro das necessidades de Isabel. Não deixou sua prima a esperar por mais tempo, mas pôs-se a caminho o quanto antes.

O chamado não pode esperar, tem sempre um caráter de urgência, como já tivemos oportunidade de falar logo no início. Esta pressa de Maria fala mais do que uma simples atitude. Fala de um querer unido fortemente ao querer do Pai. Como o Pai deseja que seu Reino se estabeleça no meio dos homens, assim Maria coopera com generosidade para que isso aconteça.

A generosidade não é somente uma virtude indispensável para a resposta. Ela é a qualidade da resposta. Quando mais uma pessoa no serviço de Deus tem a decisão de despojar-se, de avançar de acordo com os passos que Deus lhe pede, mais se identifica com o desejo de Cristo de que a vontade do Pai se cumpra.

Aquele que foi chamado não pode deixar Deus esperando. Não só Deus espera, a messe também espera e…acaba por perder-se, já que está madura.

Acontece com o chamado o mesmo que vemos na visitação de Maria a sua prima Isabel.

Quando se responde com a qualidade da generosidade, o Espírito Santo é derramado em abundância e a alegria de Deus contagia os corações ao redor.

É uma explosão de alegria que o mundo hoje precisa experimentar, esse nosso mundo cada vez mais triste, fechado, egoísta. Será a pressa para responder que transformará o rosto do nosso mundo contemporâneo.

A tristeza de tantos rostos nos urge a uma resposta mais generosa, de mais entrega.

Maria, nossa Mãe, que eu saia da facilidade cômoda em que posso agora estar e que me decida a contagiar a alegria do Emanuel a tantos que como Isabel me esperam e precisam da minha decisão de partir às pressas.