Contar unicamente com Deus

mim vocês não podem fazer nada (Jo 15,5)

Algumas vezes, na experiência do chamado, existe um engano que pode desviar do caminho: percorrer muitas estradas, fazer muitas experiências, conhecer várias realidades e não se empenhar tanto na oração.

Aos apóstolos Jesus lhes adverte que a união deles com o Mestre é tão vital quanto a dos ramos de uma videira e o seu tronco.

A vida que explica o entusiasmo, a coragem, a força do discípulo ou tem sua origem na relação íntima com o Mestre ou não durará muito tempo.

Quantas vezes assistimos a pessoas muito empolgadas em iniciar um trabalho, percorrer longas distâncias pelo Cristo, mas que depois esses trabalhos não dão frutos.

Não será porque nos empenhamos demais nas coisas à nossa maneira e nos esquecemos que quem faz crescer tudo é Cristo? Tudo depende dele. Nós somos apenas servos inúteis. Enquanto não nos convencemos dessa inutilidade nossa ainda não estamos bem dispostos para o trabalho na vinha do Senhor.

Ao resolver algumas contendas com a comunidade de Corinto, Paulo dá provas dessa consciência do trabalho de Deus: «eu plantei, Apolo regou, mas é Deus quem faz crescer.

Assim, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas só Deus, que faz crescer» (1Cor 3, 6-7). Na obra de Deus é Ele que conta em primeiro lugar. Os nossos esforços não podem realizar nada se não estão unidos à sua vontade, se não recebem dele o sustento.

Essa certeza sustenta a perseverança. Uma vez que se busca realizar a vontade de Deus com Deus, sabe-se que não se está sozinho e que todas as coisas são passíveis de serem encaixadas na Providência divina.

Portanto, apesar dos grandes combates, permaneceremos firmes pois sabemos que não estamos sozinhos, Deus está do nosso lado «qual valente guerreiro» (cf. Jr 20, 11).

Além disso essa dependência exige uma disposição maior para realizar os planos de Deus. Quando se percebe que é preciso mudar de direção, não ficamos apegados aos «nossos planos», pois sabemos que, uma vez entregues a Deus, eles não interessam mais.

No entanto é preciso cultivar essa relação. Por isso aquele que recebe o chamado divino, deve submeter-se a uma verdadeira disciplina de vida interior que o afaste de uma espiritualidade meramente baseada em gostos pessoais, e o projete numa relação mais intensa com o Senhor.

Quem não se disciplina dificilmente encontrará o tempo para o cultivo da amizade com Jesus. O plano de vida espiritual é simplesmente um instrumento que ajuda a pessoa a crescer em comunhão com Jesus e a colocá-Lo em lugar de destaque em sua vida, dentro do seu coração.

É na oração que se amadurece o chamado e que se encontra luzes e forças para servir a Deus do modo como Ele quer ser servido.

Faze, Senhor, com que eu tenha a coragem de oferecer um tempo para que a nossa amizade cresça, quero aprender a cultivar um diálogo freqüente contigo, pois só serão contado no grupo dos teus seguidores os que, de fato, forem teus amigos.