Construindo caminhos

Eu envio o meu mensageiro para preparar o teu caminho(Lc 7,27)

Construtor de caminhos! Bela maneira de entender o chamado. O precursor do Messias teria a árdua missão de preparar os seus caminhos e preocupou-se por ser muito fiel a essa tarefa exclusiva.

O Messias deveria encontrar os caminhos consertados, as colinas aplainadas, os vales recobertos para que pudesse encontrar uma trilha segura no meio do deserto (cf. Is 40,3ss).

Aquele que se dispõe a ouvir o chamado de Jesus precisa encontrar boa disposição para reparar caminhos tortuosos, abrir estradas onde não há, facilitar a passagem do Messias.

Em suma, deverá estar disposto a deixar passagem e, de modo algum, obstaculizar a chegada de Jesus às almas e, conseqüentemente, às estruturas familiares e sociais desse mundo.

Portanto, deverá ser capaz primeiramente de conhecer os terrenos que exigem preparação. Precisa conhecer o mundo ao seu redor, os anseios, as perguntas, as angústias das pessoas que o rodeiam.

Como poderá abrir caminhos se não conhece por onde as pessoas passam, se não persegue os seus passos? Não para ser igual a eles, mas para estar simplesmente próximo.

Por isso, aquele que ouve o chamado deve estar bem perto das pessoas, não pode viver em outro planeta, mas deverá ser filho de seu tempo, no bom sentido da expressão. Para falar de Deus aos homens do seu tempo é preciso estar ao lado deles.

Mas ao mesmo tempo aquele que constrói caminhos não poderá deixar de considerar as perspectivas dessa rota. Daí brota a necessidade de um olhar elevado, que leva em consideração o fim a que aponta a estrada.

É um caminho que leva a Alguém, a Jesus. Por causa dessa perspectiva é preciso que o chamado procure responder a Jesus através do estudo e da meditação atenta à sua Palavra e à Palavra da Igreja.

Como conduzirá alguém ao Mestre se não bebeu em profundidade a sua doutrina.

Como mostrará a direção se não tiver ele mesmo percorrido-a? Para ser construtor de caminhos, a exemplo de João Batista, é preciso amadurecer no silêncio do deserto da oração a força da Palavra divina.

Ao mesmo tempo recebe-se um chamado para conduzir a Cristo e não a si mesmos.

É Jesus que deve impactar com a sua presença, arrastar com o seu exemplo, o mensageiro simplesmente procura ser fiel ao conteúdo da mensagem, transparecer na sua vida aquilo que comunica. As pessoas não pertencem a ele, não são para ele.

Por isso deverá ser maduro o bastante para não desviar do verdadeiro caminho aqueles que lhe foram confiados.

Se eles não chegarem a ser mais de Jesus ele terá falhado na missão que lhe foi confiada. «As criaturas para ti? - As criaturas para Deus. Quando muito, para ti por Deus.» (S. Josemaría, Caminho, n. 147).

Essa consciência marca o desapego fundamental que devemos ter no serviço do Senhor. Ninguém para nós, todas as pessoas para Deus.

Senhor, um dia ouvi teu chamado e me dispus a ser mensageiro, construtor de caminhos. Começa a preparar em meu coração os teus caminhos para que tendo a tua presença bem forte dentro de mim possa querer conduzir muitas almas a ti.