Chamados a experimentar o poder da Palavra

A Palavra de Deus é viva e eficaz

Quando o agricultor, depois de preparar a terra, semeia o grão que pode garantir a abundante colheita, fá-lo com a confiança de que a terra naquele ano será generosa, que o tempo será favorável e que a semente é boa. Apoiado nessa confiança trabalha incansavelmente, porém sem ela não faria nada.

O instrumento de trabalho que Deus confia aos chamados é poderoso: a sua própria Palavra. A carta aos Hebreus nos recorda que «a palavra de Deus é viva, eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes» (Hb 4,12).

Este é o apoio que encontramos na hora do anúncio. Se, por um lado, a graça supõe a natureza e, portanto, devemos fazer em tudo a nossa parte já que Deus não nos substitui; por outro, não pode faltar-nos a confiança de que ao semearmos a sua Palavra Deus fará crescer os frutos.

Não se pode desenvolver uma atividade apostólica e esperar ver os frutos. Cada um deve fazer aquilo que lhe cabe. A Deus compete dar acabamento à obra que foi iniciada por Ele mesmo.

Muitas frustrações pastorais procedem do fato de não perceber nem imediatamente nem a longo prazo os resultados de um trabalho incansável, de muita semeadura, muito sol e muita chuva e muitos esforços.

Aquele porém que encontra a sua alegria simplesmente na missão que lhe foi confiada, ou seja, a alegria de anunciar a Boa Nova do Reino, esse não encontrará nenhum motivo suficiente de frustração, também porque sabe que a sua missão, como a de Cristo e dos Apóstolos, passa pelo caminho da contradição e da disposição à renúncia.

Além dessa identificação de missão com Cristo está a confiança na força da semente. Jesus, em muitas ocasiões, usou o simbolismo da força da semente para falar do vigor que se encontra na Palavra: de dia e de noite, com sol ou com chuva, ela se desenvolve até se transformar numa árvore frondosa e rica em frutos.

O anúncio é marcado pelo espírito de fé e, contrariamente, o anúncio fica prejudicado quando aquele que anuncia não tem fé, não acredita na força da Palavra de Deus mas deposita sua confiança no vigor da sua pregação e de sua metodologia: não será uma método que nos salvará, mas uma pessoa, Jesus Cristo (cf. João Paulo II, Novo Millenio Ineunte, 29).

Dessa consciência brota a sadia preocupação de que a pregação seja eco do anúncio na boca de Cristo. O que garante vigor e força ao testemunho por Palavras é a fidelidade a Cristo e, conseqüentemente, à Igreja.

Esse, portanto, deverá ser o escopo fundamental do anúncio: transmitir Cristo e não uma projeção afetada de si mesmo.

Cada vez que na pregação Cristo não ocupa o centro, corre-se o risco de desviar o olhar dos ouvintes para si mesmo e daí procedem tantas experiências de sentimento de frustração no apostolado de tanta gente.

Senhor, que eu confie mais na força da Tua Palavra que nas minhas capacidades de anunciar o Teu Reino tão sublime. Que eu saiba nos momentos de fracasso amparar-me na identificação profunda de minha vida com a Tua vida e que, desse modo, a Tua doce Palavra continue a ecoar no coração de meus irmãos e irmãs numa profunda fidelidade à Tua mensagem de salvação para os homens.