A vida: uma missão

Para a obra… os tenho chamado (At 13,2)

Desde toda a eternidade fomos escolhidos por Deus para realizar uma missão que Ele mesmo quis destinar-nos. Uma missão que é só minha, ao mesmo tempo que sempre existiu.

No entanto eu a realizarei como única porque o mistério do meu ser é único, irrepetível. Deus não nos criou em série como robôs. Cada pessoa humana, cada filho de Deus com tudo o que lhe é próprio—temperamento, potencialialidades, virtudes, talentos—constitui uma realidade nova nessa terra que vem ao mundo precisamente para realizar uma missão.

Viver a vida como uma missão! Isso precisamente faz a diferença. Podemos dizer que o mundo está dividido entre aqueles que sabem que estão realizando aqui uma obra e aqueles que perambulam pela história não se dando conta de seu lugar. Quando se vive a vida como uma missão, encontra-se sentido para tudo.

Todas as coisas se enchem de significado, de porquê. Já dizia Nietszche que «quem tem um porquê viver, o como suporta».

O sentido da vida é um questionamente que surge especialmente quando nos deparamos com as grandes perguntas da vida: o que é o homem? Qual o significado da dor, do mal, da morte, que continuam existindo apesar de todo progresso? O que valem certas conquistas pagas a tão alto preço? Que oferece o homem à sociedade, e o que pode esperar dela? O que há depois desta vida? Que sentido tem a morte?

São perguntas que têm a sua fonte comum na busca de sentido que desde sempre urge no coração do homem:

Da resposta a estas perguntas, de fato, depende a orientação que se dá à existência» (João Paulo II, Fides et Ratio, n.1). Não se pode continuar pela vida sem buscar essas respostas, de outro modo corremos o risco de viver sem sentido, o que significa para o homem uma possibilidade concreta de auto-destruição.

Ilustra muito bem essa realidade o que diz Pascal:

«Eu não sei quem me colocou no mundo, nem o que é o mundo, nem o que sou eu mesmo: eu me encontro numa ignorância terrível com relação a todas as coisas; não sei o que é o meu corpo, os meus sentidos, a minha alma e esta parte de mim que pensa o que eu digo, que reflete sobre tudo e sobre si mesma e não se conhece mais do que conhece as outras coisas. Vejo esses espaços tremendos do universo que me encerram e me encontro preso a um ângulo desta vasta extensão, sem que eu saiba porque fui posto neste lugar e não em outro, nem porque este pouco tempo que me foi dado para viver foi-me marcado neste ponto e não a um outro de toda a eternidade que me precedeu e que seguirá…tudo o que eu sei é que devo morrer, mas o que mais ignoro é precisamente esta morte que não saberei evitar» (B. Pascal, Pensamentos, n.149).

Senhor, diante da constatação dessa tremenda ignorância quero abrir-me à luz da Tua Palavra. Que ela desvende diante de meus olhos os mistérios mais profundos do homem na pessoa de Jesus Cristo: o único que explica o homem ao homem (cf. Gaudium et spes, 22). Existimos para Ele, para realizar em nossa breve existência o rosto do Teu Filho unigênito. Ele é a razão da nossa existência e n’Ele podemos compreender o destino da humanidade e o Teu querer que realiza plenamente a pessoa humana.